Editorial

A saga de uma trupe que ousou fazer teatro na periferia

O grupo teatral Pombas Urbanas completa em outubro de 2014, 25 anos de existência, tendo realizado pesquisa sobre a formação do ator, linguagem e dramaturgia formando um repertório de 13 espetáculos, em sua maioria textos de autoria de Lino Rojas, fundador do Grupo, morto em 2005, criados a partir da pesquisa desenvolvida pela trupe. Sua investigação se caracteriza pelo estudo contínuo sobre a cidade de São Paulo e seus habitantes e na construção de uma linguagem cênica que traz a poética do jovem brasileiro contemporâneo. A primeira montagem da companhia, chamada “Os Tronconenses”, foi apresentada em1991 em um festival do qual receberam cinco prêmios: melhor pesquisa de linguagem cênica, melhor espetáculo, melhor atriz e revelação de ator e atriz. Com este mesmo espetáculo, a companhia participou em 1995 do 10º ENTEPOLA – Encontro de Teatro Popular Latino Americano em Santiago do Chile e da 2ª Mostra de Teatro Jovem Montevidéu no Uruguai. Em 1997, com o espetáculo “Ventre de Lona”, que trata da questão do abandono, contando a história de um bebê deixado na porta de um Teatro abandonado recebeu o Prêmio Estímulo Flávio Rangel / FUNARTE na categoria “Consolidação de Pesquisa de Linguagem Cênica”. “Ventre de Lona”, teve 2 temporadas na Cidade de São Paulo: a primeira no Centro Cultural Elenko KVA, em 1998, e a segunda na Sala Arte do Novo TBC – Teatro Brasileiro de Comédia. Depois veio o espetáculo de rua “Mingau de Concreto” e a mini-tragédia para palco italiano “Uma Baleia Perto da Lua”. Desde sua formação,

 

o grupo ministra cursos de teatro em diversas regiões da periferia de São Paulo, transferindo o conhecimento produzido em sua pesquisa para jovens e adolescentes moradores nos bairros mais afastados do Centro. O processo de formação do ator desenvolvido pelo grupo tem despertado a atenção de artistas e educadores da cena teatral e educacional brasileira e Internacional, pois sua prática e método de pesquisa estão plenamente alinhados com a arte contemporânea que privilegia a formação humana e global do indivíduo. Em 2004 a companhia passou a ocupar um galpão abandonado que havia pertencido a um antigo supermercado no bairro Cidade Tiradentes, revitalizando-o e transformando-o no Centro Cultural Arte em Construção. Desde então o grupo dedica-se a um amplo e contínuo processo de Teatro em Comunidade realizando formação artística e de público no espaço que beneficia cerca de 22.000 pessoas ao ano. E para comemorar o Jubileu de Prata, o Pombas Urbanas fará uma grande Mostra com seus principais espetáculos apresentados nos 25 anos de carreira. Uma História para ser Contada de uma trupe que nasceu em Ventre de Lona, dentro do Buraco Quente, tornou-se Tronconense, comeu Mingau de Concreto e estão aí até hoje, porque afinal Todo Mundo tem um Sonho.